Emagrecimento através de desintoxicação orgânica Por Marival Chaves
Com tendência a piorar, o mundo vive o dilema do insucesso no combate ao excesso de peso e obesidade.
A mídia não pára de veicular apelos recheados com soluções milagrosas, que atendem a todos os gostos. Especialistas expressam opiniões diversas acerca do assunto, obviamente distanciadas da solução adequada do problema que se avoluma.
A lista de produtos rotulados com designações diet, light e natural não pára de crescer, apesar da insuficiência de referências confiáveis. Enfim, tem muita gente ganhando dinheiro a expensas de pessoas doentes, com desesperança por causa de condição estética deformada.
Como último refúgio, as filas para realização de cirurgias bariátricas, não obstante o risco iminente de morte, são ampliadas a cada dia, eis que estatísticas atuais e projeções futuras se revelam catastróficas.
Cirurgia é, de modo geral, demonstração inequívoca da incapacidade de solucionar problemas de saúde com tratamento eficaz, em tempo hábil. Bariátrica, por outro lado, não passa ao largo da intervenção grosseira nos desígnios da natureza.
Poucos sabem que a natureza concebeu aparelho digestivo individualizado, compatível com estatura e, sobretudo, necessidades de processamento e absorção de nutrientes. Por exemplo: o intestino delgado mede até dez metros e o grosso até um metro de comprimento, dependendo da altura do indivíduo.
Nesse sentido, a mudança descabida nos parâmetros fatalmente implicará prejuízos irreversíveis e permanentes à normalidade funcional do organismo, podendo significar acometimento de moléstias crônicas, entre as quais anemia, que deixa portas do corpo escancaradas para elas, em especial as que têm origem em vírus e bactérias, sem contar o risco de morte precoce.
O fato é que a cirurgia atua no sintoma e deixa a causa básica intacta e, tanto é assim, que 80% das pessoas que cedem a seus apelos voltam a engordar, ou seja, barra temporariamente, com ônus incomensuráveis para a vida do corpo, o processo de engorda, mas não se propõe a sanear a metodologia de adoecimento, causadora dos males.
Enquanto a ciência proclamar que caloria sozinha é sinônimo de excesso de peso e obesidade; que quem gasta menos do que consome fatalmente criará excedente de caloria e ficará gordo; que o controle remoto é um dos principais responsáveis pela anomalia, o mundo inteiro continuará caminhando a passos largos para o insucesso diante do equacionamento da solução do intrincado fenômeno de nossos tempos chamado sobrepeso.
Não é tão simples assim. O corpo intoxicado por herança genética ou, de outra parte, por extravagâncias alimentares cometidas ao longo da vida, com o aparelho digestivo doente, tem razões de sobra para ganhar peso indefinidamente.
Precisamos de mais água – o organismo é composto de 70% de líquido, com necessidade permanente de renovação – e menos alimento sólido. Manuel Lazaeta Acharan, no livro Medicina Natural ao Alcance de Todos, proclama que somos um aparelho digestivo com membros. Nossa vida com qualidade, saúde e longevidade dependem fundamentalmente da saúde do sistema. E mais: que comemos demasiadamente por conta de estresse e consequente ansiedade, abreviando os dias de vida com imposição de sobrecarga de trabalho à função digestória, principal atividade e mais importante fonte de energias de que dispõe o organismo.
O indivíduo engorda por conta da conjugação de fatores como desequilíbrio no sistema nervoso, que gera ansiedade e conduz à compulsão alimentar, sem contar o agravamento do adoecimento da digestão, em especial azia, refluxo, gastrite e outros males, além de evacuação insuficiente e obstipação intestinal, que intoxicam o sangue, ocasionam má circulação e acarretam, além de excesso de peso, estrias, celulite, culote e gorduras abdominais localizadas, que constituem o inferno astral de homens e mulheres.
Esse círculo vicioso evolui e se realimenta de acordo com o grau de adoecimento da atividade digestiva e da qualidade dos alimentos que se consome. Vale à pena lembrar que alimento e digestão formam o sangue que, em permanente circulação, produz tecidos saudáveis ou doentes. É inquestionável que só há nutrição se houver digestão, cuja normalidade determina a qualidade e pureza do sangue.
Sangue corrompido em circulação forma tecidos adiposos, doentes, que não recebem adequada nutrição celular e retêm líquidos. É oportuno observar também a proximidade de tecidos adoecidos, quais sejam, os que compõem quadris, coxas, nádegas e abdome, que sofrem ataques diretos de intestinos putrefatos, abarrotados de excrementos e gases tóxicos represados.
Nesse contexto, não há como perder de vista a necessidade de submeter o corpo a rigoroso processo de desintoxicação do sangue e tecidos, sem efeitos adversos, combater desequilíbrios emocionais e, em sintonia com reeducação alimentar, atuar restaurando a saúde da atividade digestiva, única conduta capaz de encaminhá-lo à reintegração de posse da saúde global e ao reequilíbrio funcional.
Simultaneamente com a ultrapassagem dessas etapas, a perda permanente de peso virá por consequência.
Marival Chaves é terapeuta naturista
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